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“Altas literaturas”, de Leila Perrone-Moisés

TRECHOS:
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“A literatura, que durante séculos ocupara um papel relevante na vida social, tornou-se cada vez menos importante. Na “sociedade do espetáculo” (Guy Desbord), a escrita literária fica fica confinada a um espaço restrito na mídia, pelo fato de se prestar pouco à espetacularização”.
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“O desafeto progressivo pela leitura é um fenômeno internacionalmente reconhecido. Leitura exige tempo, atenção, concentração, luxos ou esforços que não condizem com a vida cotidiana atual”.
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“…para concorrer com os outros meios de comunicação, os livros atuais e futuros precisarão ter mais atrativos do que aqueles ocultos pelas letras”.
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“Os novos escritores, afinados com os hábitos alimentícios deste fim de século, publicam livros light, para serem consumidos rapidamente”.
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“A literatura do século XVIII até meados do século XX tinha a ambição de conhecer e a coragem de inventar, dentro (embora formalmente à margem) de um projeto amplo para o homem e a sociedade”.
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“…a pós-modernidade parece existir mais na teoria do que na prática, e as discussões teóricas a seu respeito já apresentam sinais de exaustão”.
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“Os limites entre a conscientização e a doutrinação dos alunos desapareceram”.
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“O livro de (Harold) Bloom é (…) declaradamente logocêntrico; o cânone de Bloom é anglo-cêntrico e ego-cêntrico”.
“Lévi-Strauss, acusado pelos neoconservadores franceses de ser o responsável por um relativismo pernicioso, explicou que assim como defendia o direito de cada cultura à autopreservação, ele se reservava o direito de querer preservar a sua, ocidental e francesa”.
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“A luta não se trava mais entre concepções diferentes da cultura, entre a cultura e a contracultura, alta cultura e cultura de massa, mas entre cultura e a descultura pura e simples”.
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“A globalização, falsa universalização do mundo pela economia, tende não a unir, mas a unificar (a indiferenciar) os repertórios pelos meios de comunicação”.
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“Esse Ocidente que venceu todas as guerras, infelizmente, não é o das Luzes, o das “artes e letras”, dos trovadores medievais aos artistas revolucionários da Modernidade; é o o Ocidente da dominação econômica e da padronização do imaginário, sem apoio em ideologia alguma a não ser a da técnica e do lucro”.
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“A alta cultura, a criação desinteressada, ou interessada em ampliar o conhecimento e a experiência humana, em aguçar os meios de expressão, em despertar o senso crítico, em imaginar outra realidade, tudo isso está ameaçado de extinção”.
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“Sem utopia, a história é aceita como fatalidade”.
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“Atualmente, a literatura parece contentar-se com espelhar uma realidade fragmentada, desprovida de valores e, portanto, de utopia”.
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“Quando morre um escritor, diz Blanchot, os jornais costumam dizer que “uma voz se calou”; poderíamos então supor que, morto o último escritor, haveria um grande silêncio”.
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“Se todas as minorias reclamam os seus direitos, por que não os reclamaria a minoria representada pelos leitores de alta literatura?”
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21/07/2015
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