Textifique

“Despoemas”, de Roberto Menezes

TRECHOS:

 

“E ele desceu agravando uniformemente sua vontade de cair. Talvez quisesse primeiro negar, tentar alçar voo, beijar o céu de passarinho, de braços abertos feito Orfeu da Conceição inaugurando o carnaval” – do conto A beleza da queda da beleza.

“…o mundo é por si só vagante, anda errante pelo espaço numa estrada que nunca ninguém inventou” – do conto Aos suicidas e suas kawasakis.

Fonte, de Ronaldo Monte

“Teus sonhos não são enigmas.
Olha-os com calma:
Eles são a fonte dos enigmas.
Tua fonte.

Não busques, portanto,
o sentido dos teus sonhos.

Dorme, apenas.

E deixa que desfilem
teu mistério
no chão do sono.”

“É porcelana arranhada que aprendeu por si só a perder a cor e a se tornar decorativo vaso sem grife que se arremessa da primeira janela à procura de atenção, aos gritos, ou apenas para ser caco (ser tudo e ser nada, que é o ser enquanto se parte)” – do conto Sonho de Tanajura.

 

“Sonho de ferro, bigorna a que eu, mais cedo ou mais bravo, irei por dever ou não poder mesmo, me submeter, como se a ferrugem dos meus traumas ancestrais fosse mais forte do que eu, e é” – do conto Sonho de Tanajura.

 

“O sonho que eu sonhei será pedra sobre minhas costas que levarei, tal qual um caixão vazio babando por minha morte…” – do conto Sonho de Tanajura.

“De dentro de mim não há fuga, só secura. O que é meu é meu. O que é meu é feito víbora condenada a desenhar as vírgulas do deserto” – do conto A Ladeira sem Prumo (ou A Gaiola de Péda).

Morrer, de Águia Mendes

“morrer
é apagarem-se
todas as luzes da casa

quando tudo gela
na noite maravilhosa e bela
e o céu se infesta
de estrelas e faz um silêncio de rachar

morrer
é não mais
ir à feira

é ficar em casa
descansando
em trajes de madeira”

Share on Google+Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on LinkedInPin on Pinterest
23/08/2015
Desenvolvido por Mídia360 © textifique. Todos os direitos reservados.